Na cultura ocidental, o desfecho ideal de uma relação sexual é sempre o orgasmo, acompanhado de ejaculação, no caso do homem. Para o Tantra, porém, o orgasmo é a única coisa que não deve acontecer numa relação sexual. Ou melhor, deve ser adiado ao máximo. E isso não significa ter menos prazer. Para os praticantes do Tantra, conter o orgasmo significa experimentar um prazer indescritivelmente mais alto do que o ordinário, classificado pelos iniciados de hiperorgasmo. Mais do que isso, significa sustentar esse êxtase por tempo ilimitado.
As pessoas pensam que conseguiram o máximo do prazer ao atingir um orgasmo comum. Na verdade tiveram um mero espasmo nervoso acompanhado de pequeno prazer num curtíssimo lapso de tempo.
O autoconhecimento pelo prazer

E o melhor: não é só um prazer muito mais intenso que se consegue praticando o Tantra. O seu maior objectivo é desenvolver o autoconhecimento e a evolução interior a partir do prazer.O Tantra pode ser definido como a arte de conhecer a si mesmo através do outro. É algo como exacerbar o prazer físico a uma tal dimensão que ele extrapole os limites físicos e transborde na forma de um orgasmo espiritual ou estado de graça.
Além disso, com a prática das técnicas tântricas, vários outros “efeitos colaterais” são atingidos: a saúde melhora, a expectativa de vida aumenta, a pessoa tem mais energia para o trabalho, para os desportos, mais criatividade, a libido aumenta e a potência sexual também.
Todos os homens tem ejaculação precoce
Qualquer pessoa pode atingir o hiperorgasmo ensinado pelo Tantra. Basta ter a sensibilidade para assimilar os seus segredos e entender o sexo como uma arte. Pode ser difícil para a nossa sociedade patriarcal, onde o homem habitualmente comanda a relação e tudo caminha em direcção a um rápido orgasmo.
No Tantra, a mulher é considerada uma divindade, e geralmente ela é quem comanda a relação, ficando por cima. E a relação sexual costuma durar em média três horas, mas meia hora já é um bom começo. Todo o homem que não é tântrico tem ejaculação precoce, já que a média de duração das relações é de meros 15 minutos.
Orgasmo é desperdício de energia
E para o Tantra Branco, (existem várias escolas), o ideal é adiar sempre o orgasmo. Desta maneira, numa fase boa, um casal pode ter até dois ou três contactos sexuais num mesmo dia, cada um com uma ou duas horas de duração. No Tantra Branco, ter um orgasmo significa desperdiçar a energia sexual.
A veneração da mulher está na origem do Tantra, que nasceu na civilização drávida. Este povo matriarcal viveu há 5 mil anos na região do nordeste da actual Índia. Por não serem guerreiros e não dependerem da força do macho para se preservar, os drávidas davam maior valor à mulher do que ao homem. Ela era considerada uma divindade, pois era capaz de um milagre que o homem não conseguia: dar a vida a outros seres humanos.
Nos últimos 3.500 anos, o Tantra foi incorporado pelo hinduísmo, uma cultura patriarcal. Para que sobrevivessem, os seus ensinamentos foram guardados como escrituras secretas, sendo transmitidos apenas aos iniciados. Hoje, eles voltam ao conhecimento público e se popularizam cada vez mais entre os ocidentais.
A mulher ficar por cima é sinal de evolução
Para o Tantra, a evolução da espécie humana se divide em três fases, conforme a posição da mulher durante o coito. Na fase troglodita, o macho cobre a fêmea por trás (como a maioria dos outros animais); na fase patriarcal, os dois ficam frente a frente, com o homem por cima (meio evoluído); já na fase tântrica, os dois ficam frente a frente, mas com a mulher por cima (evolução plena).
Com a mulher por cima, além de ela poder ser venerada pelo homem, há outras vantagens. O tamanho do pénis não é importante, pois nessa posição ele facilmente alcançará o ponto Delta ou D, no fundo da vagina, que confere à mulher muito mais prazer que a estimulação do ponto G, segundo os praticantes de Tantra. Além disso, é possível haver penetração até mesmo sem erecção, desde que a mulher mantenha-se com o tronco erecto, como se cavalgasse o parceiro.
A posição da mulher por cima facilita ainda a execução do principal “truque” do Tantra, a contenção do orgasmo. Isso porque ela quebra o condicionamento do macho de cobrir para fecundar. O inconsciente do homem entende que o objectivo ali não é ejacular. Isso ajuda a prolongar o contacto e assim, possibilita que ambos cheguem ao hiperorgasmo.
Hiperorgasmo tem explicação biológica
A explicação do estado de vitalidade plena que se alcança com a contenção do orgasmo é biológica. Na lei da natureza, quando um indíviduo se reproduz, já cumpriu sua obrigação perante a espécie. Por isso, pode ser descartado. Assim, o seu corpo passa a um processo mais acelerado de decadência em direcção à morte.
Quando ele pratica o Tantra, porém, secretando hormonas sexuais em abundância e depois retendo o orgasmo, é como se estivesse permanentemente disponível para a reprodução. Como a natureza preserva um reprodutor, por ser muito útil à espécie, ele será protegido contra doenças, envelhecimento e até acidentes, pois terá mais reflexos.
O Corpo aprende sozinho
Mas como conseguir conter o orgasmo? não é difícil nem desagradável. Depois da primeira hora de contacto sexual, o corpo aprende a conter o orgasmo praticamente sozinho. Apartir de então, uma onda de prazer indescritível toma conta de todo o seu ser. O corpo todo se torna um pólo de prazer, como se fosse uma extensão dos órgãos sexuais, que alcançasse até mesmo o psiquismo.
Sem preconceitos morais
Para os praticantes de Tantra, não há conceitos morais de certo ou errado. Por isso, ele é considerado uma filosofia anti-repressora. O amor não está necessariamente envolvido.
Nada impede, porém, que o Tantra seja executado com a pessoa amada. Se existe relacionamento afectivo, o Tantra o potencializa muito. É claro que o carinho vai aumentar quando se proporciona um prazer tão intenso ao outro.

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